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22/01/2010 - Estudo aponta insatisfação com Educação na cidade de São Paulo
Pesquisa avalia itens considerados importantes para o bem-estar dos paulistanos.Educação está ente as áreas mal avaliadas

Em uma escala de 1 a 10, os paulistanos atribuem nota 5 à qualidade da Educação na capital paulista. O dado é da pesquisa encomendada pelo Movimento Nossa São Paulo, divulgado nessa terça-feira (13), que avaliou o grau de satisfação da população em relação a questões consideradas importantes para a qualidade de vida na cidade. A Educação está entre as 21 áreas mal avaliadas dentre as 25 abordadas pelo estudo.

A pesquisa IRBEM (Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município) realizada pelo Ibope ouviu 1.512 pessoas entre os dias 2 e 16 de dezembro de 2009. Além da qualidade dos serviços públicos da cidade, o estudo avaliou o grau de confiança dos paulistanos nas instituições e a percepção da população em relação a temas como segurança, meio ambiente, desigualdade social e ralações humanas. Os 170 itens avaliados foram levantados por uma consulta pública feita por organizações sociais e pela internet que ouviu cerca de 37 mil pessoas em outubro de 2009.

Em relação à Educação, os itens considerados mais relevantes para a qualidade de vida apontados pela população incluem a qualificação e valorização dos professores, o envolvimento das famílias na Educação dos filhos, a quantidade de vagas na Educação Infantil, a adequação da formação educacional para o mundo do trabalho e o acesso ao Ensino Superior. Todos ficaram abaixo da média de satisfação da pesquisa que é de 5,5.

Na opinião da socióloga Maria Alice Setúbal, uma das coordenadoras do Grupo de Trabalho de Educação do Movimento Nossa São Paulo e presidente do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária), a má avaliação “reflete a falta de políticas sociais consistentes na cidade de São Paulo”. Segundo ela, a falta de continuidade das políticas educacionais é um dos fatores que impede melhorias significativas na qualidade de vida da população.

A presidente do Cenpec considera importante o fato de a Educação ser apontada como um aspecto decisivo para a qualidade de vida das pessoas, mas diz que “ainda há uma percepção muito forte da relação da Educação com o trabalho”, e alerta para perigos como o de reduzir o Ensino Médio a apenas um ensino profissionalizante.

Garantia do aprendizado não está entre questões prioritárias para a qualidade de vida

Embora as avaliações e indicadores nacionais apontem que ainda há muito que melhorar para garantir o ensino de qualidade a todos os paulistanos, a preocupação com o aprendizado não aparece entre os itens levantados na primeira fase do estudo. Na avaliação de Maria Alice, “ainda falta um amadurecimento da população em relação a isso”.

Para o presidente executivo do movimento Todos Pela Educação, Mozart Neves Ramos, resultados como esse confirmam a atenção que a educação deve receber dos gestores públicos. “Acredito que gradativamente ganhará espaço na sociedade brasileira a visão de que a educação de qualidade deve ser encarada como atendimento a um direito, que no caso brasileiro é expresso de forma clara na Constituição Federal. Garantir uma boa infraestrutura de ensino é uma questão importante, mas não suficiente. O principal indicador de um ensino de qualidade é o aprendizado do aluno. Essa tem que ser uma convicção de todos, dos gestores e dos cidadãos”, afirma Mozart.

Segundo ele, embora ainda não se configure numa tendência, é gratificante saber que a população já começa a estar atenta a requisitos importantes para uma Educação de qualidade, como a a qualificação e valorização dos professores.

De acordo com dados da Meta 3 do movimento Todos Pela Educação, em São Paulo apenas 26,2% dos alunos da 4ª série/5º ano do Ensino Fundamental possuem conhecimentos adequados à sua série em Língua Portuguesa; em Matemática esse percentual é de 21,6%.


Mais informações
Saiba mais sobre a pesquisa IRBEM no site do Movimento Nossa São Paulo

Veja a íntegra do estudo clicando aqui




   

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